O sexto episódio da Websérie IA na Educação Profissional colocou em foco um dos temas mais sensíveis e urgentes da atualidade: como preparar educadores para ensinar com e sobre inteligência artificial. Com mediação de Andréia Soares, da Gerência de Tecnologias e Desenhos Educacionais do Senac, o encontro reuniu Sidney Chibat (Khan Academy), Guilherme Cintra (Fundação Lemann) e Tobias Allen Castro Silva (Senac Santa Catarina) para discutir caminhos éticos, pedagógicos e estruturais para a formação docente em IA no Brasil.
O educador no centro da transformação
A conversa começou com Sidney Chibat, da Khan Academy, apresentando o Camigo, tutor digital baseado em IA generativa. A ferramenta, lançada em 2023, atua como uma espécie de assistente educacional para professores e alunos, oferecendo recursos de personalização, monitoramento e engajamento em tempo real.
Sidney destacou que o papel da IA é ampliar o alcance do professor, e não substituí-lo.
“A tecnologia pode eliminar tarefas repetitivas, mas é o professor que garante a aprendizagem e as relações humanas dentro da sala de aula”, afirmou.
Ele apresentou casos de uso práticos do Camigo, como planejamento de aulas, acompanhamento do progresso da turma e recomendação de atividades personalizadas, reforçando que o futuro da educação passa por integrar tecnologia e intencionalidade pedagógica.
Formação com intencionalidade e propósito
Na sequência, Guilherme Cintra, diretor de inovação da Fundação Lemann, trouxe uma reflexão sobre a importância da intencionalidade na adoção de IA nas escolas.
Para ele, a tecnologia só tem valor quando vem acompanhada de cultura, processos e comunidade escolar preparados para usá-la criticamente.
Cintra defendeu que a educação deve abandonar o discurso da inevitabilidade tecnológica e adotar um olhar sistêmico e humano, centrado nas relações e na autonomia docente.
“A inteligência artificial não deve acontecer conosco, mas por meio de nós. Não é inevitável — é intencional”, destacou. Ele também reforçou a necessidade de repensar avaliações, currículos e práticas pedagógicas, priorizando o desenvolvimento de competências como pensamento crítico, criatividade e coragem.
A arte de ensinar na era da IA
Encerrando o encontro, Tobias Allen Castro Silva, do Senac Santa Catarina, apresentou o case Aula 360, que combina metodologias ativas e IA generativa em experiências práticas. Inspirado na história da calculadora — uma tecnologia que enfrentou décadas de resistência até ser integrada ao ensino — Tobias comparou o momento atual à chegada das novas ferramentas de IA, defendendo o uso responsável e mediado pela autoridade pedagógica do professor.
“O risco é o docente se tornar apenas um curador de prompts. A IA deve ser apoio, não substituto. É preciso preservar o domínio técnico e a dimensão humana do ensino”, afirmou.
O projeto catarinense mostra como a IA pode atuar como assistente em sala, ajudando alunos a resolver dúvidas e professores a personalizar o acompanhamento, sempre com escuta, empatia e intencionalidade pedagógica.
Síntese do encontro
O episódio evidenciou que formar professores em IA vai além de capacitar tecnicamente, envolve formar para o uso ético, crítico e humano da tecnologia. A inteligência artificial pode transformar a educação profissional, mas só quando professores lideram o processo, mantendo o cuidado, o vínculo e o propósito como bússolas da inovação.
Tobias encerrou lembrando que, apesar das transformações tecnológicas, “a tecnologia muda, mas ensinar continua sendo um ato profundamente humano.”
A gravação completa está disponível no Saber Senac.